22.3.17

OH SE PEDE!

em putas e vinho verde?
quanta sede.
disputas e muita verve:
vai à merda!
o filho-da-puta insulta,
ofende e pede
que lhe partam os cornos,
oh se pede!

Domingos da Mota

[inédito]

2.3.17

CITAÇÃO

Só o Diabo pode explicar a coincidência
Só o Diabo pode explicar

Só o Diabo pode
Só o Diabo





Domingos da Mota

[inédito]

20.2.17

da filustria

mas que bela filustria
perpassa no ministério
da ignorância, diria,
não fosse do magistério:
o português, nossa língua,
perde força no programa,
e a matemática, à míngua,
pode esperar pela cama
que os impávidos doutores,
pedagogos encartados
lhe preparam, os quadrados:
tudo em prol das estatísticas
e das leis contabilísticas

Domingos da Mota

[inédito]

(a partir das pertinentes interrogações de Maria do Carmo Sequeira, no seu mural do Facebook, hoje)

21.1.17

pergunta retórica

contigo,
amigo.
teríamos o inferno:

antigo?
moderno?
ou pós-moderno?

Domingos da Mota

[inédito]

31.12.16

PASSAGEM DE ANO

Um ano passa, vem outro:
Se fosse novinho em folha,
Mas de novo tem apenas
A folha do calendário,
O aumento dos impostos,
Das portagens, das viagens
E das coisas necessárias
Para uma vida frugal.
Mas que venha, nasça e cresça
E avance dia a dia,
Frutifique e amadureça
E distribua a alegria.

Domingos da Mota

[inédito]

13.11.16

LÍNGUA

A seca foi braba naquele ano.
O pai falou: Lá evém uma língua de fogo
do lado da Bolívia
e vai lamber todo o pasto.
O menino assustou: Língua de fogo?
O pai explicou ao menino que se tratava
de imagem.
Língua de fogo é apenas uma imagem.
Mas, pela dúvida, o menino retirou seu
cachorro da imagem.

Manoel de Barros

POEMAS RUPESTRES, Editora Record, Rio de Janeiro . São Paulo, 2004